Educação para passar o exame

(Reflexões sobre a educação em Portugal, surgidas quando estava a ler “A economia dos pobres”, de Abhijit V. Banerjee e Esther Duflo.)

A verdade é que na maioria das escolas o principal objetivo é preparar as crianças para um qualquer difícil exame público que seja uma catapulta para coisas maiores, o que exige acelerar e cobrir um vasto programa, onde os piores alunos ficam atrás, transformando a escola que deveria ser integradora numa escola de élite. Os profesores das escolas sabem ensinar aos alunos mais fracos, mas durante as aulas regulares, os professores acabam por deixar de lado essa função, porque foram levados a acreditar que devem cumprir um currículo e que o objetivo da escola é ensinar… a passar um exame.

Os constrangimentos impostos pela pedagogia oficial de ensinar para passar um exame e a particular atenção a cumprir o programa acabam por transformar-se numa barreira para os alunos com mais dificuldades ou com menos apoio em casa e na escola.

Las TIC y la brecha digital

Me facilitaron este site en la web, cuando estaba haciendo el curso de Búsqueda y Gestión de la información en la Web, en Miriada X. Tiene un libro interesante sobre la experiencia de incorporación de tecnologias de información, comunicación y colaboración en educación superior.

El sitio se llama Brecha Digital, y habla sobre la separación que existe (brecha) entre las personas que utilizan las TIC y las que no tiene acceso a las mismas o que tienen acceso pero no saben utilizarlas.

http://www.labrechadigital.org/labrecha/

Aqui también esta un enlace que permite ver las estatísticas de los niveles de literacia en redes http://reports.weforum.org/global-information-technology-report-2015/network-readiness-index/

En este otro enlace está un reporte de 2015 sobre Medición de la sociedad de la información 2015: http://www.itu.int/en/ITU-D/Statistics/Documents/publications/misr2015/MISR2015-ES-S.pdf

A leitura em casa molda o cérebro das crianças em idade pré-escolar

Crianças cujos os pais reportaram ler mais em casa mostraram uma ativação bastante maior de áreas cerebrais numa região do hemisfério esquerdo ligada à integração multissensorial.  Esta zona do cérebro, que é conhecida por estar extremamente ativa quando crianças mais velhas leem livros por si próprias, revelou o mesmo efeito quando crianças mais novas ouvem histórias.

O estudo concluiu ainda que a linguagem dos livros, quando comparada com a linguagem usada pelos pais ao falar com os filhos, é mais completa, expondo, por isso, as crianças a um vocabulário mais alargado.

Ler mais: Artigo resumo na Visão; Abstract do artigo original no Pediatrics

Video: Tell Me a Story: Your Pediatrician Wants You to Unplug the Kids

Sobre dislexia…

Sobre dislexia…. (Fonte: Dialectos Psicológicos)

A dislexia é uma condição amplamente reconhecida no meio educacional nacional e internacional, com sintomas bem definidos, com vasto embasamento teórico-científico e que segundo recentes estimativas afeta de 4 a 8% da população mundial (Brunswick et al.,2010). . Estudos funcionais relacionam o reconhecimento e a decodificação das palavras às bases neurobiológicas, representadas pela ativação da região temporal basal e bilateral. A integração das informações e o processo fonológico resultam na ativação do giro angular e dos giros temporais médio e superior esquerdos. Fletcher (2009) aponta que tanto a produção, quanto a compreensão dependem da ativação das regiões do córtex frontal.

Segundo Lyon et al.(2003) a Dislexia é um transtorno específico de aprendizagem da leitura comprovadamente de origem neurobiológica caracterizada pela dificuldade na habilidade de decodificação, soletração, fluência e interpretação. (Blomert et al., 2004) ressalta que essas dificuldades são consequências do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas. A grande maioria dos autores aponta a teoria do déficit fonológico como causa da dislexia, relevando as dificuldades relacionadas ao processamento fonológico, como dificuldades em tarefas que envolvem repetição de palavras e não palavras, em reter informações verbais na memória de trabalho, na nomeação rápida e em tarefas metalinguísticas que envolvem a manipulação de fonemas.

Sabe-se que a dislexia ocorre em todos os idiomas, sendo que algumas facilitam mais a sua expressão do que outras de acordo com as características linguísticas e ortográficas. Inúmeros estudos demonstram as bases neurobiológicas universais da dislexia, consistem no processamento fonológico e que a diferença entre os idiomas deve-se à utilização de diferentes estruturas ortográficas, e não ao processamento fonológico (Paulesu et al., 2001).

Existem três tipos básicos de dislexia (Alves et al., 2011):

  • Dislexia Disfonética ou Fonológica: existe dificuldade na leitura oral de palavras pouco conhecidas, onde a dificuldade encontra-se na conversão de letra em som. Pode estar associada a uma disfunção no lobo temporal.
  • Dislexia Diseidética: existe dificuldade na leitura caracterizada por um problema de ordem visual, ou seja, o processo visual é deficiente. Está relacionada a problemas no lobo occipital.
  • Dislexia Mista: os leitores apresentam problemas dos dois subtipos disfonéticos e diseidéticos, sendo associadas a disfunções nos lobos pré-frontal, frontal, occipital e temporal.

Fisiopatologicamente, a dislexia está relacionada a malformações corticais e subcorticais, anomalias de migração celular que afetam em particular a região perisilviana do hemisfério esquerdo.

Atualmente o conceito mais aceito de dislexia é de um transtorno específico da aquisição e do desenvolvimento da aprendizagem da leitura, caracterizado por um rendimento em leitura inferior ao esperado para a idade e que não se caracteriza como o resultado direto do comprometimento da inteligência geral, lesões neurológicas, problemas visuais ou auditivos, distúrbios emocionais ou escolarização inadequada.

A dislexia é um transtorno específico e persistente da leitura e da escrita, de origem neurofuncional, caracterizado por um inesperado e substancial baixo desempenho da capacidade de ler e escrever, apesar da adequada instrução formal recebida, da normalidade do nível intelectual, e da ausência de déficits sensoriais. O disléxico responde lentamente às intervenções terapêuticas e educacionais específicas. Porém, somente com estas intervenções adequadas podem melhorar seu desempenho em leitura e escrita. O prognóstico depende ainda de diversos fatores facilitadores como a precocidade do diagnóstico, o ambiente familiar e escolar.

(Relatório Técnico do Comitê de Especialistas. IDA, 2008. Definição da Dislexia)

É importante destacar que tal transtorno deve ser diferenciado das variações normais na realização acadêmica e das dificuldades escolares devido à falta de oportunidade, ao ensino inadequado ou a fatores culturais, ou seja, a definição de dislexia inclui duas pressuposições fundamentais: integridade geral e uma deficiência de aprendizagem da leitura e/ou da escrita. Fatores socioeconômicos, ambientais e familiares podem influenciar o desenvolvimento das habilidades de leitura, mas não podem se configurar como causa da dislexia.

Referências:

ALVES, Luciana Mendonça; MOUSINHO, Renata; CAPELLINI, Simone. Dislexia. Novos temas, novas perspectivas. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.

Associação Brasileira de Dislexia. Definição de dislexia elaborada em 2000 pela International Dyslexia Association. Disponível em: http://www.dislexia.org.br/ Acessado em: 07-06-2015 00:07

BAKKER, Dirk. O Cérebro e a Dislexia. O Choque Linguístico–, p. 14, 2002.

BLOMERT, Leo; MITTERER, Holger; PAFFEN, Christiaan. In Search of the Auditory, Phonetic, and/or Phonological Problems in Dyslexia Context Effects in Speech Perception. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, v. 47, n. 5, p. 1030-1047, 2004.

FAWCETT, Angela J.; NICOLSON, Roderick I. Performance of dyslexic children on cerebellar and cognitive tests. Journal of motor behavior, v. 31, n. 1, p. 68-78, 1999.

FLETCHER, Jack M. Dyslexia: The evolution of a scientific concept. Journal of the International Neuropsychological Society, v. 15, n. 4, p. 501, 2009.

LYON, G. Reid; SHAYWITZ, Sally E.; SHAYWITZ, Bennett A. A definition of dyslexia. Annals of dyslexia, v. 53, n. 1, p. 1-14, 2003.

PAULESU, Eraldo et al. Dyslexia: cultural diversity and biological unity.Science, v. 291, n. 5511, p. 2165-2167, 2001.